terça-feira, 28 de junho de 2011

Day 13 - A letter to someone who has hurt you recently

Você me machucou muito. E continua me ferindo com essas palavras cáusticas, que dizem só querer o meu bem.

Eu sou assim, Bernardo. Eu preciso ser livre. Eu preciso ser eu. Eu preciso ter a minha vida à meu modo. E eu não sei se você não entende, não quer entender, finge não entender ou acha tudo bobagem. E essa é umas das coisas que você faz que mais me machucam. Você não me leva a sério. E você não quer nem ao menos tentar enxergar e ver o quanto esse seu poder e essa sua distancia me dói. Eu acho, que você é uma das pessoas que mas me fez sofrer na vida. Não que você tenha escolhido esse papel de meu carrasco. Não, você só quer me proteger. Me proteger de mim mesma e das escolhas que eu fiz para minha vida.

Você me faz perder um tempo preciso que eu deveria estar construindo meu castelo, minha vida, para cogitar e especular problemas que não chegaram. Problemas que não foram anunciados, que nem sequer sabemos se virão mesmo. Vou te contar uma coisa, algo que talvez você fique muito puto de ouvir, mas: eu acho que você é uma pessoa frustrada. Eu sei qual é o seu sonho. Eu sei o que você quer da vida e sei que nada disso que você faz da sua vida te deixa plenamente realizado. Você não vai mentir para mim, porque eu sei só de olhar para você. Mas a vida não é só isso, Bernando.

A vida não é só dinheiro, a vida não é só familia. E o mais importante: a vida não é aquilo que as pessoas te dizem ser.

A vida é muito mas que isso. Se ao menos você soubesse...

Me machuca quando você critica o meu gosto e o meu cabelo. Me machuca você ter praticamente me obrigado a escolher outra faculade. Me machuca você ignorar os problemas da mamãe e tratar a nossa família desse jeito estúpido e grosseiro. Mas não esqueça que este é o seu berço e se você é que é hoje, você deve isso a essas pessoas que você abandonou. Eu realmente não deveria ligar, o problema é todo seu. Mas quando você se cansar? E quando você lembrar de tudo que essa família, que é torta, complexa cheia de gente que não se dá bem, fez por você e o quanto você pode ter perdido tempo se preocupando com banalidades e coisas sem sentido.

Não deixe sociedade te engolir. Não deixe que as pessoas te mostrem o caminho, não siga atalhos, não desista dos sonhos, não faça pouco do que você é.

E não me controle mais. Aceite-me como eu sou e talvez você descubra, como eu descobri que as pessoas mais incriveis são as mais loucas e imprevsíveis. E que é lindo poder descobrir a vida, o amor do mundo a cada dia.

E eu ainda acho incrível como é possivel sermos filhos da mesma mãe. A mesma mãe que me ensinou tudo para que e fosse feliz, desse meu jeito insano, não pode ter sido a mesma que te convenceu que na vida é importante superar as expectativas dos outros.

Eu não duvido que você ame sua esposa e queria ter sua familia com ela. Não duvido que você se preocupe comigo. Mas duvido que o artista em você esteja feliz trancafiado num escritório de engenharia.

Eu nasci para a música e para filosofia, Bernardo, e espero que você só aceite isso como eu estou aceitando você matando que você realmente é.

Eu te amo, independetemente do que você fez comigo. Só não sei se continuarei te amando independentemente do que você faça apartir de agora. Seja meu amigo, me abrace, não me julgue, não me reprima e não me castre.

Seja o Bê, o irmão da Bimbom, que levava ela no colo, que brincava de cosquinha e que chegava em casa as 22h, exausto e ainda ajudava ela a estudar para a prova de matemática. Seja o pianista que eu sei que você é, e talvez você possa ser livre.

Talvez você não precise ser livre, mas há músicas no mundo que vão te encantar e vão te lembrar do que você realmente ama.

Um comentário:

  1. arrepiou-me toda no mínimo no final de cada parágrafo. lagrimas nos olhos durante toda a leitura. o peso do ser, do nao ser e do parecer. o peso de reprimir e ser reprimido. permitir e ou nao. se permitir e ou nao. viver, ou nao.

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Tell me you're not vicious...