segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Dois caminhos





A gente tem dois caminhos para seguir. Ser o que você é ou ser o que você finge ser. Tem gente que não diferencia os dois. Tem gente que não vê dois caminhos. Tem gente que escolhe apenas o caminhos do fingir, porque é mais fácil.

Pelo menos para mim, fingir nunca deu certo. Pode ser uma dessas fraquezas, mas eu não sei me esforçar para algo que não acredito ou não quero, por isso nunca escolhi fingir, nunca escolho um caminho mais fácil.

Eu não vou dizer que não invejo as pessoas cujos caminhos sejam fáceis. Estar num caminho difícil significa lutar todos os dias por algo que a maior parte das pessoas não acredita. Mas a vida se põe em planos para nós, e temos que segui-los, conquistá-los. Alguns mais que outros. Alguns com mais anseio e desejo que outros. Mas não adianta mentir para si mesmo, porque quando você sabe o que ama, o que faria você se levantar todos os dias com um mínimo de felicidade, de alguma forma você vai se lamentar por isso. Se não tentar mais tarde se dedicar a isso, vai escolher um caminho para esquecer, e se não esquecer, vai escolher um caminho para mostar ao mundo o quanto ele é injusto com você.

Acho que estamos vivendo muito rápido, desgastando a vida rápido demais. E quando nos damos conta, viramos donas de casa de 40 anos que deixam os filhos serem criados por empregadas domésticas, se matando de trabalhar numa firma em que as pessoas ainda te rebaixam pelo simples fato de você ser do sexo feminino. Ou um homem, ficando calvo e barrigudo, que trabalha sem parar até as 21h30, chega em casa morto de cansaço, e ainda encontra a mulher reclamando dos filhos, senta-se na sua confortável poltrona e liga a televisão no volume máximo, tentando abafar os gritos do mundo externo, com uma cerveja barata ao lado.
A gente não pensa mais, não escolhe mais, não vive de verdade a muito tempo. Por isso eu faço filosofia. Por acreditar que essa é disciplina que pode mudar a cabeça dessa sociedade doente, que divaga sobre o seu dia-a-dia monótono no twitter, cria amizades fast-food no facebook e explora as sensações e sentimentos no tumblr. Que precisa acreditar que arte é falta do que fazer e filosofia é desperdício de tempo, que nada dá disso dá dinheiro, que é preciso primeiro garantir o seu ou enlouquecer de vez.

As pessoas não gritam juntas, por um ideal, por uma sociedade mais justa, por uma vida melhor. Gritam por si mesmas, pelas tristezas que criam e pelas injustiças que acreditam sofrer. Gritam por achar mesmo que nada disso que estamos vivendo está errado, que não mais se perseguem sonhos, que não mais se constroem objetivos. Conversamos sobre o quanto as pessoas pesam, para quem fodem, o que fazem no tempo livre, o que vestem sem olhar para própria bunda e pensar na própria vida, no que está errado com você!

Mas há sempre dois caminhos. O ser, e o fingir ser.



P.S. Sim, eu sabia que você estava com inveja de mim. CRESÇA E APAREÇA!

4 comentários:

  1. 'Que precisa acreditar que arte é falta do que fazer e filosofia é desperdício de tempo,'
    escrevi isso outro dia hahaha

    é bem verdade que sempre existe a escolhe e às vezes as pessoas arrumam toda sorte de motivos pra justificar o caminho mais fácil, mas a verdade é que tudo que é difícil traz mais recompensa :)

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  2. Peguei isso de você, espero que não se importe xP Definiu brilhantemente como as pessoas enxergam as essas coisas, que fazem a vida de muitas pessoas terem o mínimo sentido, nesses dias.

    Uma verdade é, não importa que caminho você escolha, sempre será sua culpa. Às vezes a recompensa é só estar naquele caminho.

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  3. hahaha não me importo não, relaxa (:

    Exatamente. Só que hoje em dia ninguém quer pagar a conta de nada, nem dos próprios atos né.

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Tell me you're not vicious...