segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Sobre Amy Winehouse, sua morte e auto-destruição


Não dá pra não sentir dor. Não uma dor fulminante, não vai me matar, mas eu sinto aquela dorzinha incômoda, aquela agonia de ver alguém brilhante partindo.

Sim, brilhante. Porque, querendo ou não, Amy era uma artista brilhante e completamente sincera consigo mesma, a ponto de "escrever em suas canções verdades que ela não quer admitir nem para si mesma". E fazer algo assim é simplesmente brilhantismo, não é qualquer um. Sua voz sem comparação, seu estilo despojado, suas letras altamente emocionais e, obviamente, seus problemas constantes com os vícios fizeram de Amy uma estrela internacional e um ícone da nossa geração.

Mas não estou aqui para exaltar Amy, apesar de ela merecer com todas as críticas que recebe por causa das suspeitas óbvias da causa de sua morte: overdose.

Quem acompanhou a carreira de Amy Winehouse viu a decadência da cantora e quem viu ou leu as notícias sobre ela pode ver a negligência - se é que pode se chamar assim - que ela estava tendo com si mesma e com sua saúde. Se não podemos chamar de negligência, que é "Falta não intencional daquele que se omitiu no cumprimento de um ato que lhe incumbia.", chamemos então de um processo de auto-destruição. Este parece ser um termo mais adequado aos fatos que se sucederam após a ascensão de Amy Winehouse como ícone da música inglesa. Sim, porque apesar de triste o seu fim - que, devemos lembrar sempre, esta causa é apenas especulada, não comprovada - essa foi uma escolha da própria Amy. Andei lendo diversos textos pela web, que dizem o porque deste fim trágico para alguém tão jovem, mas a verdade é que se ela de fato, morreu por abuso de drogas, foi uma escolha dela. Um abuso consciente e denunciado pela própria em suas canções. E esta é a dura realidade que temos que enfrentar: a auto-destruição é um processo muito mais comum do que se pensa e está ficando na moda nos dias de hoje.

Talvez Amy não fosse o tipo de pessoa que pensasse em suicídio. Ela até podia não se lembrar dos seus atos devido aos seus excessos, mas era completamente capaz de dizer que excedia sim, pela própria vontade.

O que eu fico imaginando, vendo tanta gente se entregar desta forma aos vícios, as drogas, ao álcool, ao sexo mundano e casual, a relacionamentos que duram menos do que uma piscada é que talvez Amy Winehouse seja apenas um fruto de uma sociedade doente, de valores distorcidos, de onde não se tem escapatória.

Eu fico imaginando com ela deveria se sentir sendo perseguida por repórteres e paparazzis do mundo inteiro, julgando, apontando e fazendo chacota de uma situação que ela defendeu para si como sua salvação. Porque a verdade é que para muitos a escolha é auto-destruição ou insanidade. Depois de tudo, ela era só uma coitada que queria se expressar através da música e trouxe de volta algo simplesmente incrível, que foi o Blues e o Jazz, esquecidos nas montanhas de CD's na sala da casa dos seus pais.

E agora podemos ver outros artistas seguindo o exemplo de Amy, sendo levados a força para centros de reablitação para se "curarem" do mal que querem para si, que para eles, é a única forma de sobreviver sem se afogar na própria tristeza.

O que eu quero ressaltar aqui é que eu não sou a favor de abusos, em nenhuma circunstância, mas sou a favor de deixar que as pessoas escolham seus próprios caminhos, que decidam se querem viver ou morrer, se darem a chance sempre de escolher. É claro que saber que Amy Winehouse, que sempre admirei como artista, partir por escolher a morte é doloroso para mim, assim como para a maior parte de seus fãs, mas creio que talvez ela estando onde está, esteja melhor do que sendo perseguida eternamente por alguém qualquer, que curiosamente, que saber demais sobre a sua vida.

Nós estamos sempre resaltando liberdade como principio maior, mas e a liberdade de morrer, de se entregar ao vício, de se deixar levar, de apodrecer devagar por simplesmente não aguentar a vida? Acredite, a maior parte das pessoas que escolhem isso param no meio porque simplesmente não aguentam mais ficar se martirizando, se afundando na própria vida e na própria bosta. Elas vão levantar, procurar ajuda e se não o fizerem, é porque acreditam não haver salvação melhor que deixar a existência.

Isso pode ser um conceito ultrarromântico muito obsoleto, mas as ideias perduram por mais tempo do que se imagina.

Eu que sempre valorizei muito a vida, jamais pensaria em auto-destruição como meu meio me livrar dos problemas. Mas se a gente pode respeitar aqueles que negam os prazeres, porque não respeitar aqueles que querem experimentar todos os prazeres possíveis? Posso estar falando uma tremenda merda, mas é a minha opinião.

Se Amy morreu, foi porque provalvelmente não aguentava mais ser perseguida por sua escolha, e isso só a fez afundar mais e mais. Ela morreu por não ter mais esperança de construir algo e talvez, todos devessemos pensar mais profundamente no que queremos construir no mundo para seguir em frente.

Amy, we should be stronger than you were.

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