segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Qual é o nosso problema?


Ontem foi a tão celebrada, ungida e beatificada "festa da democracia". Às 8:30 estava de pé na minha sessão, exercendo meu direito/dever de cidadã. Votei. Não levei nem 10 minutos. Apertei os números, saí da cabine e fui esperar minha mãe do lado de fora. Fiquei pensando.

Isso é tão estranho. Deveria ser um momento grandioso, uma coisa magnífica. Mas não. Não me senti melhor depois de votar. Na verdade, me senti vazia. Senti como se o meu desejo de mudança, da vitória do Freixo estivesse escapando por entre meus dedos. Talvez foi apenas o prelúdio do que estava por vir.

O dia era lindo. Um domingo de sol e eu, deitada na grama do Aterro do Flamengo, comendo as guloseimas que trouxemos, eu e amigos, para aquele piquenique. Estávamos felizes, rindo, comendo, fofocando. E então veio a trágica noticia.

Perdemos. 

"As pessoas não querem dignidade, mas passar de explorado para explorador."


"Não dão nem a chance de ouvir outro lado, outra pessoa. Simplesmente se contentam com o pouco que tem e está bom!"



"Eu tenho nojo do mundo, da vida."


Palavras sábias, de pessoas que, como eu, viram o sonho, o desejo e a esperança morrer naquele minuto. Só uma ligação e os rostos felizes murcharam.

Eu não tinha nada de filosófico para acrescentar. Foi decepcionante para mim. Mas foi só isso. Eu não sou militante do partido, não fiz parte dessa história, não panfletei, não dei a cara a tapa, não participei de protestos, não sou a pessoa mais engajada politicamente. Não. Eu só acreditei.

Não estou revoltada, raivosa, infeliz. Só decepcionada. Porque esse é o mundo que eu vivo, dessas afirmações acima. E a única coisa que eu consigo pensar é: "Será que o problema sou eu?"

Será que eu acredito e espero muito da justiça, do país, das pessoas? É isso? Sou eu quem tem que mudar a minha cabeça e pensar só naquilo que me interessa e me concerne? Será?

Meus planos eram de ir para a Lapa depois e assistir à apuração com os outros sonhadores. Não tive forças. Não consegui declarar para mim mesma que aquele era o fim. Não consegui ir e ver todos aqueles rostos, tão ou mais decepcionados que eu e não me sentir culpada por não feito tudo o que pude, por sentir vontade de chorar de fazer alguma coisa e me sentir imponte e até de certa forma, inútil. E me senti tão idiota porque, no final das contas era só uma eleição!

"Por que eu estou tão triste?"

Quando cheguei em casa, me deitei ao lado da minha mãe. Ela me abraçou, feliz por eu ter chegado bem em casa.

"Você viu a apuração?" - perguntei.
"Sim. Que chato né?" - respondeu.

É... que chato. Muito chato.

Minha mãe votou no Freixo porque eu pedi. Ela já me confessou mais de uma vez que odeia eleições porque nunca os candidatos que ela escolhe são eleitos e ter vivido na ditadura militar deve ter deixado ela desesperançosa mesmo. Ao menos é o que eu acho. Por ela, não iria nem a sessão.

Seja modismo, seja verdade, Freixo acendeu em mim e em muitos dos meus conhecidos o sonho da mudança. Que não se concretizou ontem, mas está aqui, vivinho e pedindo só mais um pouco de lenha. Mas acho que o Pedro está certo. Conseguimos reunir muitas pessoas que, como nós, "não aceitam o pouco, e está bom". Não é hora de parar agora. Não vamos morrer na praia.

Estamos de olho, e vamos nos manifestar diante do absurdo. Não vamos deixar que nos tratem como querem e transformar nossa cidade, nossa casa e nossas vidas em mercadorias. Somos muitos contra alguns.

A única coisa que eu realmente aprendi nessa eleição foi: "Nossos sonhos não cabem em suas urnas."




P.S. Felicíssima da vitória do PSOL na Câmara! Quatro vereadores eleitos!

2 comentários:

  1. não, amiga, o problema NÃO é vc! vc faz parte da solução e não da perpetuação. vc é mais uma sonhadora, q não só vê, mas enxerga profundamente o quão errado tudo está. mas são pessoas como vc q não podem deixar se abater pela tristeza da derrota (q nem foi tão derrota assim, passa lá no meu blog e lê o q eu escrevi sobre isso). <3

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  2. A outra coisa que eu aprendi nessa eleição (graças ao Vitor): A ZUERA NÃO TEM PARTIDO.

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Tell me you're not vicious...