segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Sobre escrever e poesia.


Normalmente... aliás... Não. Antigamente eu costumava pedir desculpas quando passava um longo tempo sem escrever. Mas acho que isso é bobagem.

Afinal esse é só um bloguinho tosquinho de uma Maria-Ninguém que fica se lamentando pelos dias que passam e os pensamentos que ficam. Sobre aquela coisas que eu não vi, sobre aquela música que eu não ouvi, sobre aquele momento que eu não presenciei. Sobre o mundo que gira e você está aí, vivo e nem sabe porque, pra quê e o que vai fazer com isso. É só sobre mim, não tenho pretensão nenhuma de falar de você! Afinal, eu não sou 'mais uma garota de 20 anos que escreve num blog'. Eu sou uma garota de 20 anos que escreve num blog, mas que se sente e sabe que é, pensa, sente e vive completamente diferente das outras garotas de 20 anos por aí. Talvez nem tanto, mas não posso me imaginar sendo outra coisa no mundo se não a exceção.

Pedir desculpas por não escrever é só para quem tem blogs bons, sobre assuntos fodas, com acessos e fãs. Para essas novas celebridades da internet, que falam sobre tudo, sabem de tudo, escutam de tudo, e obviamente, escrevem sobre tudo. Moda, literatura, música, teatro, cinema, desenho, pintura, escultura, fotografia, política, filosofia, abobrinha, melão, chuchu e todos os vegetais, comíveis e não-comíveis, todas as esferas da vida, pensáveis e não pensáveis.

Escrevo, primeiramente por mim. Para quem quer me conhecer e ver por debaixo da minha pele. Escrevo pelo desejo puro e simples de escrever. Escrevo o que eu quero. Sem datas, sem revisão, sem agenda, sem compromisso. Não quero que deem 'like', que compartilhem, nem que comentem, a não ser que vocês queiram. Não imploro para que divulguem, não peço visualizações, não quero seguidores, não preciso de fãs.

Preciso de mim, de escrever e de me conhecer. Preciso me amar. Cada dia mais um pouco.

Em 'homenagem' aos novos galãs e gatonas virtuais, aos amigos hipsters e sabidinhos, às pessoas que são simplesmente o suprassumo da dignidade humana, uma poesia que eu escrevia um tempinho, para vocês.

Todo mundo é crítico de arte

Não sei se você já viu isso
Mas hoje todo mundo é crítico de arte
E está por cima da carne seca
Todo mundo é elogiado e amado
Por simplesmente ser
Todo mundo tem um fã
E pode apontar e dizer:
"Hoje você vai me comer"
Todo mundo sabe tudo sobre essa vida
E sabe cuidar da vida de todo mundo
Todo mundo odeia as modas passageiras
Todo mundo ama a música independente
Todo mundo é melhor que todo mundo
Todo mundo é tão bom!
Todo mundo é tão diferente!
Todo mundo é tão inteligente!
Todo mundo é sabidinho, revolucionário
Todo mundo é moralmente certo
Todo mundo é crítico de arte!
Todo mundo...
Todo mundo quer ser Deus
E todo mundo acaba sendo ninguém
Nem mesmo você mesmo.


Rio de Janeiro, 17 de julho de 2012


Fotografia tirada do site weheartit.com. Fotógrafo e modelo desconhecidos.

Um comentário:

  1. nós e a nossa inevitável mania de querer alcançar o autoconhecimento, né? mas é isso mesmo, há que se seguir na busca, senão vem a angústia e nos ganha por nocaute. :P

    beijo

    p.s. isso aqui tá uma graça! <3

    ResponderExcluir

Tell me you're not vicious...