sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Sobre Marcelo Freixo, eleições e modinha.


Quem mora no Rio de Janeiro sabe do fenômeno que foi o candidato Marcelo Freixo (PSOL), que contando com o financiamento voluntários e em que os jovens foram de um papel essencial para panfletagem e divulgação da campanha. Com o tempo de televisão monopolizado pelo seu principal adversário, ele só subiu nas pesquisas de intenção de votos (na última pesquisa chegou a 20%) e foi o candidato com o menor índice de rejeição (8%), mesmo nas pesquisas suspeitas do Datafolha e do IBOPE.

Mas ao contrário do que pode parecer, não vou convencer ninguém a votar no Freixo, mesmo porque quase todas as pessoas que eu conheço vão votar nele! Eu vim falar mais é da tão criticada modinha Freixo.

Como foi falado no primeiro paragrafo, o candidato em questão, sem coligação com outros partidos, sem montanhas de dinheiro, pouco mais de um minuto de tempo de televisão e contando com a panfletagem voluntária daqueles que acreditam no seu ideal se utilizou muito, também, das redes sociais para expor as suas ideias. Fez encontros, caminhadas, comícios (diga-se de passagem, um com a presença de 15 mil pessoas, mesmo debaixo da chuva!) e twittcams como forma de convocar, conhecer e responder os eleitores.

A falta de mobilização jovem, sempre tão criticada por aqueles que tem mais idade, não só retornou com força mas, foi um exemplo de confiança e esperança num novo tipo de política: honesta, em aliança com a sociedade, escutando a voz de quem é prejudicado.

Não vou falar da história linda do candidato na política. As pessoas sabem, por alto, que foi ele presidiu a CPI das milícias, que mudou a opinião pública sobre a mesma. Sabe também, que sua história foi inspiração para o personagem de Diogo Fraga, personagem do filme Tropa de Elite 2 - O Inimigo Agora é Outro (2010) e que foi ameaçado de morte e teve que sair do país, a convite da Anistia Internacional por "se meter onde não devia" para dizer o mínimo. 

Eu vejo, pela internet, muitas pessoas criticando a candidatura de Freixo como um "novo Gabeira", um candidato da modinha, mas que vai perder de lavada e  que tem apoio da elite desocupada da Zona Sul. Li até que ele é o "novo Collor" (?), só mais um rostinho bonito que vai chegar ao poder e "foder a vida de todo mundo". 

Sinceramente, acho que desde o vlog do Felipe Neto, a modinha nunca esteve tão em baixa. A gente não pode gostar de NADA que tenha aparecido na televisão UMA vez, que nós somos modinha, não valemos nada, não pensamos e só seguimos as tendências da "massa burra". Jovens reacionários chamam os amigos que acreditam em Freixo, pejorativamente de "Freixetes", como se fossemos cabeças ocas que acreditamos em palavras bonitas e utopias.

Primeiramente, gostaria de dizer cago baldes para quem me chama de freixete, tenho até com certo orgulho. Se ser freixete é acreditar num novo tipo de política, sem alianças espúrias, sem compra de votos, desvio de verbas da saúde e da educação para as mais variadas finalidades absurdas como pagamentos de dívidas do carnaval e da CEDAE, e comprar um touro mecânico (!!!), porra, EU SOU FREIXETE SIM! Isso não quer dizer que eu tenho um posterzão dele no meu quarto que idolatro, que eu fico perseguindo ou grito e choro quando ele aparece em algum lugar, nem tento beijar ele a força (até porque né, ele é casado). Eu apoio a sua candidatura no que me concerne. Convenci algumas pessoas da minha família a votar nele, compartilho coisas pelo facebook e fui ao comício na Lapa. 

Tenho amigos que colocaram o sobrenome dele no Facebook, que panfletam por ele, que estão mais engajados nessa luta do que eu. 

Posso dizer com franqueza que por muito tempo fui uma dessas pessoas que acreditavam que "político é tudo igual", que não vale a pena votar, que democracia não funciona e tudo é um cocô. Mas vi na figura do Marcelo Freixo, nos seus discursos, história e campanha uma chance, um sonho de ver uma política diferente, onde a vontade da população seja levada em consideração, onde não haja a falta de respeito que se tem hoje com quem depende dos serviços e com os servidores públicos, onde a Copa e as Olimpíadas deixem um legado para a população e não beneficiem apenas meia dúzia de empreiteiras, que a cidade tenha um bom metrô onde as pessoas não pegam o sentido oposto do seu destino e vão para a última estação da linha só para pegar um lugar sentado. Se o povo carioca quiser ruas asfaltadas, e boas calçadas, o incentivo ao transporte alternativo, ciclovias por toda a cidade, quer um debate mais aberto e menos hipócrita sobre a politica de drogas, não quiser politicas de remoção que compactuem com a especulação imobiliária nem o recolhimento compulsório dos menores dependentes químicos, acredito que Marcelo Freixo seja o melhor candidato que os represente. 

Não, ele não é um superhomem, nem o senhor da moral, nem o herói que vai  salvar a cidade do vilão maligno e perverso Eduardo Paes, "comedor de criancinhas e estuprador de mulheres" (ironia, plz). Quem vive a vida sabe que não existe "bonzinho" e "malvadinho". Existe sim, um conflito de interesses. No entanto, parece que os interesses de Eduardo Paes nada tem a ver com os interesses do povo carioca que vota nele. Eu acredito sinceramente que Marcelo Freixo é um candidato diferente, que tem uma luta séria. Eu posso estar errada, ele pode até vencer e eu "me foder" mesmo, mas pelo menos, eu fiz algo que acreditei de verdade.

Ele pode até ser modinha, pode até ser que a popularidade dele caia depois da eleição, que ele não vença, mas nada diminui sua história, sua luta, suas denúncias e a força que a sua campanha teve. Citando o próprio "Só por essa campanha, nós já ganhamos".

Eu queria ter escrito isso antes, no começo da eleição, mas...

Neste domingo vamos às urnas, honrar nosso compromisso como cidadãos e fazer valer nosso direito de escolha. Cada um ponha a mãozinha na consciência e pense: o que você quer para o futuro da sua cidade? Analise bem as propostas, conheça os candidatos. Não se atenha apenas ao discurso da televisão, pesquise sua história, sua trajetória politica. Isso vai fazer com quem ganhe essa eleição não seja o candidato X ou Y, mas a cidade, a sociedade e você.

Amanhã, às 11h tem o abraço ao Maracanã. Vamos todos, fechando com Freixo! VAI TER SEGUNDO TURNO!

Nota: Esse texto revela a MINHA opinião. O voto é seu, você vota em quem achar melhor. Não ganhei nenhum centavo para escrever isso.

Marcelo Freixo. Foto: Adriana Lorete.

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